Aliança pelo Brasil é “armação dos inimigos” de Bolsonaro, diz Janaina Paschoal

Por: Maria Elena Covre, Fabrício Carareto e Lucas Israel

 22/02/2020 às 13:10

Deputada estadual Janaina Paschoal em participação no programa Roda Viva na TV Cultura
Foto por: Photo Press/Folhapress Deputada estadual Janaina Paschoal em participação no programa Roda Viva na TV Cultura

Deputada mais votada de Rio Preto – e da história da Assembleia Legislativa – dá entrevista exclusiva ao DLNews

Aos 45 anos, a deputada estadual Janaina Paschoal (PSL) ganhou notoriedade nacional ao ser uma das autoras, ao lado dos advogados Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior, do pedido que levou ao impeachment da presidente Dilma Rousseff em 2016. O destaque político que Janaina ganhou com a derrubada de Dilma fez com que ela fosse eleita, em 2018, com o recorde de 2 milhões de votos para a Assembleia Legislativa em São Paulo.
Mesmo sem ter ligação com Rio Preto, Janaina foi a candidata mais votada naquele ano na cidade, com 29.713 votos, desbancando políticos locais como Orlando Bolçone (PSB), João Paulo Rillo (Psol) e Vaz de Lima (PSDB). 
Em entrevista ao DLNews, a parlamentar reconheceu que não tem trabalhado para trazer recursos para Rio Preto e região, mas diz que é assim que ela atua. “Ninguém pode me acusar de ter prometido algo diferente do que estou fazendo. Acho esse sistema de emendas muito arcaico, é a corrupção institucionalizada. Estou trabalhando da maneira que o povo entende ser a nova política”, afirma a deputada.
 
Ela também criticou o Aliança pelo Brasil – “uma armação dos inimigos do presidente, a direita só perdeu” – e vê a competência da equipe ministerial como um dos trunfos de Jair Bolsonaro.
 
Confira abaixo a entrevista concedida pela deputada.
 
Nesse cenário pós-racha no PSL, que levou o presidente Jair Bolsonaro a dar início à criação da Aliança Pelo Brasil, como a senhora fica? Segue no PSL ou migra para a nova legenda quando esta estiver oficializada? Por quê?
Janaina Paschoal – Eu sigo no PSL até que a sigla me admita independente como sou. Eu defendo as candidaturas avulsas, não posso correr o risco de ir para um partido que queira mandar em mim. O PSL sempre me deu liberdade. 
Na opinião da senhora, qual o grande trunfo e qual o calcanhar-de-aquiles do governo federal até o momento?
Janaina – O trunfo é ter os melhores quadros dos últimos ministérios e não estar cedendo a velhas práticas. A fraqueza é a forma grosseira de comunicar. 
 
Como a senhora avalia as falas polêmicas do ministro Paulo Guedes, como a que se referiu aos servidores públicos como parasitas e esta última, sobre a farra de empregadas domésticas irem para a Disney com o câmbio baixo?
Janaina – Eu tenho a sensação de que todos os ministros acabam contaminados pelo estilo Bolsonaro de ser. Entendo que eles deveriam se policiar mais. No entanto, essas falhas não maculam o excelente trabalho que o ministro vem fazendo. 
 
A senhora, que é formada pela USP, concorda com a visão e os ataques do ministro da Educação, Abraham Weintraub, sobre as universidades públicas?
Janaina – Concordo com a visão. Com os ataques não. Falta inteligência emocional ao ministro. 
 
A histórica votação da senhora acaba virando também um problema, dadas as expectativas em relação às cidades que despejaram muitos votos em sua candidatura? Por exemplo, em Rio Preto, que tinha três representantes na Alesp e não fez nenhum em 2018, a senhora teve quase 30 mil votos. Hoje, já há quem diga que a senhora nunca mais voltou à cidade depois das eleições e também não trouxe recursos para o município. Como é se equilibrar entre estes dois perfis de mandato: o ideológico, de ideias e debates mais amplos e que dizem respeito à população do Estado como um todo e aquele mais paroquiano esperado pelo eleitor das pequenas cidades, focado em buscar recursos para entidades?
Janaina – Eu compreendo as críticas, mas ninguém pode me acusar de ter prometido algo diferente do que estou fazendo. Até para ter liberdade para votar como entendo justo, eu não aceito emendas não impositivas. Aliás, acho até esse sistema de emendas muito arcaico. É a corrupção institucionalizada. Estou trabalhando da maneira que o povo entende ser a nova política. Resta saber se o povo está preparado para essa nova forma de agir. 
 
Em Rio Preto, apoiadores de primeira hora da candidatura do presidente Bolsonaro e todo o grupo que estava com ele acabaram rifados dentro da disputa interna que contaminou o PSL em todas as esferas. Até agora, mesmos os bolsonaristas mais convictos se sentem perdidos sem saber como se organizar. Isso pode acabar minando o apoio ao governo?
Janaina – Sim, nada me tira a convicção de que essa história de Aliança foi uma armação dos inimigos do presidente. Muitos fiéis apoiadores foram abandonados e estão ressentidos. Muitos bons quadros deixarão de se candidatar, deixando espaço para PT e PSDB. A direita só perdeu com essa cisão. 
 
A senhora vai se envolver nas eleições municipais deste ano? Pode sair candidata a prefeita em São Paulo, como muitos cogitam, ou vai ficar apenas em apoios? Quem deverá receber seu apoio dentro de São Paulo, por exemplo?
Janaina –  Não serei candidata. Tenho conversado com vários pré-candidatos, tentando identificar o melhor. Não sei se me envolverei na campanha. A chapa precisa ser muito boa para ter meu apoio oficial.
Fonte: DLNews

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